Muriqui-do-sul

Fotografia por Tanja, CC BY-NC

Local da foto: São Miguel Arcanjo, São Paulo, Brasil

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Muriqui-do-sul

Brachyteles arachnoides
Reino Animalia
Filo Chordata
Classe Mammalia
Ordem Primates
Família Atelidae
Gênero Brachyteles
Nome Científico Brachyteles arachnoides(E. Geoffroy, 1806)
Nome Inglês Southern Muriqui, Southern Woolly Spider Monkey
Estado de Conservação EN  - Em Perigo (IUCN / 2008)

Descrição

O muriqui-do-sul, conhecido também como macaco-aranha-lanoso-do-sul, é uma das duas espécies de muriquis da família Atelidae - a outra espécie é o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus). As duas espécies de muriquis são as maiores espécies de macacos do Novo Mundo. Popularmente, estas espécies são conhecidas como muriqui, mono, mono-carvoeiro, buriqui, buriquim, mariquina ou muriquina.

A cabeça do muriqui-do-sul é arredondada e a face achatada. Os braços são longos e as mãos usualmente em forma de gancho. A cauda é longa e preênsil, excedendo o comprimento do corpo, sendo o terço final sem pelos na face ventral, servindo de superfície tátil. Apresenta face, palmares, plantares e a parte sem pelos da cauda de coloração negra. Outra característica do gênero Brachyteles é que indivíduos jovens e adultos de ambos os sexos têm a região abdominal projetada, formando uma barriga, provavelmente devido ao grande volume de folhas ingeridas, o que pode dificultar a identificação de fêmeas gestantes em semanas iniciais de gestação.

O muriqui-do-sul possui pelagem espessa e macia de cor predominantemente bege-marrom-amarelada, e existem variações cromáticas regionais com colorações de pelagem variando em tonalidades aparentes de cinza-clara até bege avermelhada escura.

O macho do muriqui-do-sul tem entre 1,29 e 1,58 m de comprimento total (entre 55 e 78 cm de comprimento cabeça-corpo, mais uma cauda adicional entre 74 e 80 cm de comprimento) e peso entre 12 e 15 kg. A fêmea tem entre 1,11 e 1,37 m de comprimento total (entre 46 e 63 cm de comprimento cabeça-corpo, mais uma cauda adicional entre 65 e 74 cm de comprimento) e peso entre 9,5 e 11 kg.

As principais diferenças entre as duas espécies de muriquis referem-se à pigmentação da face em indivíduos adultos e ao polegar. O muriqui-do-sul retêm a face negra ao longo de toda a vida, sem a despigmentação que pode ser observada em indivíduos adultos do muriqui-do-norte, e que gera padrões individuais nesta espécie. Alguns indivíduos adultos do muriqui-do-sul podem apresentar leve despigmentação e ocorrência de pequenas manchas branco-roseadas na região da genitália. O muriqui-do-norte apresenta um polegar vestigial, enquanto no muriqui-do-sul o polegar é ausente (apenas visível em radiografias).

Biologia

Os muriquis têm hábitos diurnos e arborícolas, podendo deslocar-se rapidamente pela mata devido a adaptações morfológicas, tais como a cauda preênsil, braços longos e mãos em forma de ganchos. O modo principal de locomoção é por meio da semi-braquiação, movimentação realizada com auxílio dos braços e mãos alongados, característico da subfamília Atelinae. Também podem utilizar locomoção quadrúpede, e realizar saltos. Podem descer, esporadicamente, ao solo para beber água, se alimentar e ingerir terra. Também é conhecida sua capacidade de atravessar pequenas distâncias pelo chão, especialmente em áreas de habitat alterado (clareiras e entre fragmentos).

A dieta do muriqui-do-sul é essencialmente herbívora, composta basicamente por folhas jovens e maduras e frutos verdes e maduros, mas também incluindo uma grande diversidade de itens como brotos, flores, sementes, néctar, casca de árvores, lianas e epífitas. A ingestão indireta de larvas e insetos de forma acidental, como frutos parasitados, pode ocorrer, mas a ingestão de insetos como fonte primária de nutrientes não foi anteriormente observada. O muriqui-do-sul incorpora mais frutos em sua dieta do que o muriqui-do-norte, de acordo com as variações e disponibilidade sazonal do tipo de alimento.

Os muriquis são primatas diurnos e, quanto ao seu orçamento temporal de atividades, despendem cerca de 50% do dia descansando. Alimentação e deslocamento alternam-se como segunda atividade mais frequente, de acordo com a estação do ano, temperaturas médias e/ou distribuição do alimento. Seu principal meio de locomoção é a semi-braquiação, utilizando membros anteriores e mãos como suporte principal, auxiliadas pela cauda preênsil e membros posteriores. Costumam se locomover em grupos que variam em composição de acordo com a estação do ano e a disponibilidade de alimento em seu habitat natural.

Em geral, muriquis são primatas pacíficos, com ausência de agressividade interindividual e de competição direta por alimentos e fêmeas. Mas, há evidências de que muriquis são capazes de agir agressivamente com indivíduos coespecíficos, aparentemente guiados pela competição intergrupal por recursos, inclusive fêmeas reprodutivas.

Os muriquis não realizam catação, mas são comuns eventos de abraços afiliativos, principalmente entre machos adultos. Eles mantêm contatos vocais frequentes, que garantem a comunicação entre os indivíduos da unidade social. Vivem em grupos sociais multi-machos e multi-fêmeas, que podem ser coesos ou apresentar fissão-fusão. Os machos tendem a interagir socialmente principalmente com outros machos, enquanto as fêmeas são menos sociáveis dentro do grupo. Não há dominância aparente entre machos de um mesmo grupo social, que formam coalizões e convivem harmoniosamente enquanto fêmeas dispersam. Os grupos sociais do muriqui-do-sul em floresta contínua podem contar com até 45 indivíduos. Os machos permanecem com seu grupo natal e as fêmeas tipicamente dispersam de seu grupo natal quando atingem, em média, 6 anos de idade.

Os muriquis possuem sistema de acasalamento promíscuo. Usualmente cada fêmea copula com vários machos, uma vez que os machos não competem diretamente por fêmeas. No entanto, pode existir competição espermática.

Em muriquis-do-norte, a gestação dura, em média, 7,2 meses e o intervalo entre nascimentos de filhotes é de cerca de três anos, embora variações regionais em função de condição de habitat provavelmente ocorram. Geralmente nasce um filhote a cada gestação, que é carregado exclusivamente pela fêmea até os 8 meses de vida em contato ventral, depois permanecendo em suas costas até o desmame, mas este padrão pode variar entre fêmeas e populações. Há registros de nascimento de gêmeos para as duas espécies de muriquis. Nestes casos, observou-se que para o muriqui-do-norte, devido ao alto custo energético para a criação de ambos os filhotes, apenas um sobreviveu. Entretanto, para o muriqui-do-sul já foi acompanhada a sobrevivência de filhotes gêmeos.

Machos e fêmeas, a partir dos 5 anos, já possuem condições físicas para terem as primeiras cópulas. As fêmeas só têm seus primeiros filhotes pelo menos dois anos após se juntarem a um novo grupo social, assim, a maioria das fêmeas tem o primeiro filhote com cerca de 9 anos, embora, geralmente, tenham começado a copular um ou dois anos antes do primeiro nascimento. As mães muriquis amamentam seus filhotes por cerca de 2 anos. A partir daí, elas iniciam o período de desmame, que tem duração de 4 a 6 meses. Mas, assim como vários outros aspectos da história de vida, este prazo de amamentação pode variar.

Habitat

Os muriquis são endêmicos do bioma Mata Atlântica, ocupando florestas ombrófilas densas e florestas estacionais semi-decíduas.

Distribuição

O muriqui-do-sul é endêmico do Bioma Mata Atlântica do Brasil e restrito a sua porção Sudeste e especificamente aos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. O muriqui-do-sul tem populações distribuídas do sul do estado do Rio de Janeiro, no Parque Nacional da Serra da Bocaina, e norte do estado de São Paulo, na Serra da Mantiqueira (município de Pindamonhangaba), até o nordeste do estado do Paraná, no município de Castro; uma população ainda é encontrada no interior paulista, em sua região central, constituindo o limite oeste de sua distribuição, no município de Anhembi, na Fazenda Barreiro Rico. Os limites norte da distribuição do muriqui-do-sul são a Serra da Mantiqueira na divisa de São Paulo e Minas Gerais e o rio Paraíba do Sul no norte do estado do Rio de Janeiro.

Continentes de Ocorrência

América do Sul

Elaboração e Tradução de Texto (Inglês / Espanhol para Português)

  • Terra Selvagem (by LS).

Referências

  • ICMBio, Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Muriquis (Série Espécies Ameaçadas nº 11), págs. 22, 23, 25 a 29, 31, 32, 34 a 38.
  • Talebi, M.; Jerusalinsky, L.; Martins, M.; Ingberman, B.; Ferraz, D. 2015. Avaliação do Risco de Extinção de Brachyteles arachnoides (E. Geoffroy, 1806) no Brasil. Processo de avaliação do risco de extinção da fauna brasileira. ICMBio.
  • Southern Muriqui fact file on ARKive.
  • Mendes, S.L., de Oliveira, M.M., Mittermeier, R.A. & Rylands, A.B. 2008. Brachyteles arachnoides. The IUCN Red List of Threatened Species 2008: e.T2993A9529160. Acessado em 11 Out 2017.

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