Muriqui-do-norte

Fotografia por Pablo Fernicola, CC BY

Local da foto: RPPN Feliciano Miguel Abdala, Caratinga, Minas Gerais, Brasil

Data em que a foto foi tirada: 05/09/2012
  NÃO reproduza o conteúdo deste site sem autorização!

Muriqui-do-norte

Brachyteles hypoxanthus
Reino Animalia
Filo Chordata
Classe Mammalia
Ordem Primates
Família Atelidae
Gênero Brachyteles
Nome Científico Brachyteles hypoxanthus(Kuhl, 1820)
Nome Inglês Northern Muriqui, Northern Woolly Spider Monkey
Estado de Conservação CR  - Criticamente em Perigo (IUCN / 2008)

Descrição

O muriqui-do-norte, conhecido também como macaco-aranha-lanoso-do-norte, é uma das duas espécies de muriquis da família Atelidae - a outra espécie é o muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides). As duas espécies de muriquis são as maiores espécies de macacos do Novo Mundo. Popularmente, estas espécies são conhecidas como muriqui, mono, mono-carvoeiro, buriqui, buriquim, mariquina ou muriquina.

A cabeça do muriqui-do-norte é arredondada e a face achatada. Os braços são longos e as mãos usualmente em forma de gancho. A cauda é longa e preênsil, excedendo o comprimento do corpo, sendo o terço final sem pelos na face ventral, servindo de superfície tátil. Apresenta face, palmares, plantares e a parte sem pelos da cauda de coloração negra. Outra característica do gênero Brachyteles é que indivíduos jovens e adultos de ambos os sexos têm a região abdominal projetada, formando uma barriga, provavelmente devido ao grande volume de folhas ingeridas, o que pode dificultar a identificação de fêmeas gestantes em semanas iniciais de gestação.

A pelagem do muriqui-do-norte é espessa e macia, cobrindo todo o corpo. A coloração muitas vezes não é uniforme, podendo ser de cor amarelo oliváceo, de tons mais ferrugíneos ou acinzentados. Possui a face nua e nasce com o rosto e genitálias negras, áreas que se tornam mais claras (com manchas róseas) durante o amadurecimento até a fase adulta, em uma progressiva despigmentação. Apesar da ausência de dimorfismo sexual, a distinção entre machos e fêmeas no campo é relativamente fácil por meio da observação das genitálias, já que os machos adultos possuem testículos notadamente grandes e as fêmeas possuem clitóris pendular.

O macho do muriqui-do-norte tem entre 1,29 e 1,58 m de comprimento total (entre 55 e 78 cm de comprimento cabeça-corpo, mais uma cauda adicional entre 74 e 80 cm de comprimento) e peso entre 12 e 15 kg. A fêmea tem entre 1,15 e 1,39 m de comprimento total (entre 50 e 65 cm de comprimento cabeça-corpo, mais uma cauda adicional entre 65 e 74 cm de comprimento) e peso entre 9,5 e 11 kg.

As principais diferenças entre as duas espécies de muriquis referem-se à pigmentação da face em indivíduos adultos e ao polegar. O muriqui-do-sul retêm a face negra ao longo de toda a vida, sem a despigmentação que pode ser observada em indivíduos adultos do muriqui-do-norte, e que gera padrões individuais nesta espécie. Alguns indivíduos adultos do muriqui-do-sul podem apresentar leve despigmentação e ocorrência de pequenas manchas branco-roseadas na região da genitália. O muriqui-do-norte apresenta um polegar vestigial, enquanto no muriqui-do-sul o polegar é ausente (apenas visível em radiografias).

Biologia

Os muriquis têm hábitos diurnos e arborícolas, podendo deslocar-se rapidamente pela mata devido a adaptações morfológicas, tais como a cauda preênsil, braços longos e mãos em forma de ganchos. O modo principal de locomoção é por meio da semi-braquiação, movimentação realizada com auxílio dos braços e mãos alongados, característico da subfamília Atelinae. Também podem utilizar locomoção quadrúpede, e realizar saltos. Podem descer, esporadicamente, ao solo para beber água, se alimentar e ingerir terra. Também é conhecida sua capacidade de atravessar pequenas distâncias pelo chão, especialmente em áreas de habitat alterado (clareiras e entre fragmentos).

O muriqui-do-norte é, em sua essência, folívoro-frugívoro, mas também inclui em sua dieta flores, brotos de bambus e de samambaias. Ele tem a capacidade de consumir grandes quantidades de folhas e sua dentição parece refletir essa preferência. Além disso, o grande tamanho corporal do muriqui o habilita a consumir grande quantidade de alimentos pouco energéticos.

Os muriquis são primatas diurnos e, quanto ao seu orçamento temporal de atividades, despendem cerca de 50% do dia descansando. Alimentação e deslocamento alternam-se como segunda atividade mais frequente, de acordo com a estação do ano, temperaturas médias e/ou distribuição do alimento. Seu principal meio de locomoção é a semi-braquiação, utilizando membros anteriores e mãos como suporte principal, auxiliadas pela cauda preênsil e membros posteriores. Costumam se locomover em grupos que variam em composição de acordo com a estação do ano e a disponibilidade de alimento em seu habitat natural.

Em geral, muriquis são primatas pacíficos, com ausência de agressividade interindividual e de competição direta por alimentos e fêmeas. Mas, há evidências de que muriquis são capazes de agir agressivamente com indivíduos coespecíficos, aparentemente guiados pela competição intergrupal por recursos, inclusive fêmeas reprodutivas.

Os muriquis não realizam catação, mas são comuns eventos de abraços afiliativos, principalmente entre machos adultos. Eles mantêm contatos vocais frequentes, que garantem a comunicação entre os indivíduos da unidade social. Vivem em grupos sociais multi-machos e multi-fêmeas, que podem ser coesos ou apresentar fissão-fusão. Os machos tendem a interagir socialmente principalmente com outros machos, enquanto as fêmeas são menos sociáveis dentro do grupo. Não há dominância aparente entre machos de um mesmo grupo social, que formam coalizões e convivem harmoniosamente enquanto fêmeas dispersam. O tamanho dos grupos sociais do muriqui-do-norte varia de poucos indivíduos a mais de 50 indivíduos. Os machos permanecem com seu grupo natal e as fêmeas tipicamente dispersam de seu grupo natal quando atingem, em média, 6 anos de idade.

Os muriquis possuem sistema de acasalamento promíscuo. Usualmente cada fêmea copula com vários machos, uma vez que os machos não competem diretamente por fêmeas. No entanto, pode existir competição espermática. Em muriquis-do-norte, a gestação dura, em média, 7,2 meses e o intervalo entre nascimentos de filhotes é de cerca de três anos, embora variações regionais em função de condição de habitat provavelmente ocorram. Geralmente nasce um filhote a cada gestação, que é carregado exclusivamente pela fêmea até os 8 meses de vida em contato ventral, depois permanecendo em suas costas até o desmame, mas este padrão pode variar entre fêmeas e populações. Há registros de nascimento de gêmeos para as duas espécies de muriquis. Nestes casos, observou-se que para o muriqui-do-norte, devido ao alto custo energético para a criação de ambos os filhotes, apenas um sobreviveu. Entretanto, para o muriqui-do-sul já foi acompanhada a sobrevivência de filhotes gêmeos.

Machos e fêmeas, a partir dos 5 anos, já possuem condições físicas para terem as primeiras cópulas. As fêmeas só têm seus primeiros filhotes pelo menos dois anos após se juntarem a um novo grupo social, assim, a maioria das fêmeas tem o primeiro filhote com cerca de 9 anos, embora, geralmente, tenham começado a copular um ou dois anos antes do primeiro nascimento. Os nascimentos do muriqui-do-norte se concentram nos meses de seca, de maio a outubro, com pico de junho a agosto. As mães muriquis amamentam seus filhotes por cerca de 2 anos. A partir daí, elas iniciam o período de desmame, que tem duração de 4 a 6 meses. Mas, assim como vários outros aspectos da história de vida, este prazo de amamentação pode variar.

O muriqui-do-norte vive até pelo menos a idade de 30 anos na natureza.

Habitat

Os muriquis são endêmicos do bioma Mata Atlântica, ocupando florestas ombrófilas densas e florestas estacionais semi-decíduas.

Distribuição

Os muriquis são endêmicos da Mata Atlântica do Brasil. A distribuição geográfica histórica do muriqui-do-norte cobria a Mata Atlântica dos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia, excluindo as florestas de planícies no extremo sul da Bahia e norte do Espírito Santo. Atualmente são conhecidas apenas algumas populações remanescentes, sendo que a maior parte das populações sobrevive em alguns fragmentos florestais de Minas Gerais e Espírito Santo, tendo sido virtualmente extintas na Bahia.

Continentes de Ocorrência

América do Sul

Elaboração e Tradução de Texto (Inglês / Espanhol para Português)

  • Terra Selvagem (by LS).

Referências

  • ICMBio, Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Muriquis (Série Espécies Ameaçadas nº 11), págs. 22, 23, 25 a 28, 31, 32, 34 a 38.
  • Northern Muriqui fact file on ARKive.
  • Wikipedia contributors. "Northern Muriqui." Wikipedia, The Free Encyclopedia. Wikipedia, The Free Encyclopedia, 8 Abr. 2017. Web. 21 Abr. 2017.
  • Edkins, T. 2014. "Brachyteles hypoxanthus" (On-line), Animal Diversity Web. Acessado em 21 Abril 2017.
  • Mendes, S.L., de Oliveira, M.M., Mittermeier, R.A. & Rylands, A.B. 2008. Brachyteles hypoxanthus. The IUCN Red List of Threatened Species 2008: e.T2994A9529636. Acessado em 21 Abril 2017.

Mais Espécies de Mamíferos

Conheça mais espécies de Mamíferos selecionadas pelo Terra Selvagem.

Você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Saiba que dependemos exclusivamente de anúncios para manter o Terra Selvagem no ar.

Para continuar navegando, desabilite seu bloqueador de anúncios ou adicione o endereço www.terraselvagem.com à lista branca de sites do seu bloqueador de anúncios.