Saola selvagem fotografado em 1999 por uma armadilha fotográfica na Província Bolikhamxay, Laos
Fotografia por © William Robichaud
Duas décadas após a descoberta do saola - uma das espécies mais espetaculares descobertas no século 20 - o grande e raro mamífero continua tão misterioso como sempre. A World Wildlife Fund (WWF) alerta que a espécie, encontrada nas montanhas do Vietnã, está ameaçada de extinção, a menos que os esforços de proteção sejam intensificados.
O saola (Pseudoryx nghetinhensis) é um membro primitivo da família Bovidae, que inclui antílopes, búfalos, bisões, bovinos, caprinos e ovinos. A espécie é reconhecida pelos dois chifres paralelos com as extremidades afiadas, que podem atingir 50 cm de comprimento. Eles têm manchas brancas no rosto e grandes glândulas maxilares no focinho que podem ser usadas para marcar território ou atrair parceiros.
A maior ameaça para o saola vem da caça ilegal. Os saolas são capturados em armadilhas de arame feitas por caçadores para capturar outros animais, como veados e civetas, que são destinados para o lucrativo comércio ilegal de espécies selvagens, em grande parte à venda em restaurantes urbanos.
"Precisamos tomar medidas urgentes para garantir que os saolas não desaparecem como resultado da caça ilegal", disse o Dr. Barney Long, especialista de espécies asiáticas da WWF.
O saola foi descoberto em 1992 por uma equipe conjunta do Ministério Florestal do Vietnã e WWF explorando as florestas perto da fronteira do Vietnã com o Laos. A equipe descobriu um crânio com chifres longos e retos na casa de um caçador, que identificaram como uma nova espécie. O "achado" provou ser a primeira descoberta de um grande mamífero para a ciência em mais de 50 anos, e uma das mais espetaculares descobertas zoológicas do século 20.
"Os saolas são animais extremamente evasivos, e combinado com o seus baixos números são quase impossíveis de encontrar," acrescentou o Dr. Long. "Mesmo conhecendo a área onde eles vivem, nós nunca vimos um na natureza - e alguns espécimes que foram capturados por moradores locais não sobreviveram por muito de tempo."
Vinte anos depois, muito pouco se sabe sobre a ecologia e comportamento do saola. Em 2010, moradores da província de Bolikhamxay no Laos, capturaram um saola, mas o animal morreu poucos dias depois. Antes disso, o último registro confirmado de um saola na natureza foi em 1999 a partir de fotos de uma armadilha fotográfica (câmera trap) na mesma província. A dificuldade para encontrar o animal tem impedido os cientistas de fazer uma estimativa precisa da população.
Desde a descoberta do saola, Vietnã e Laos criaram uma rede de zonas protegidas na área de ocorrência do animal, e algumas reservas estão buscando soluções inovadoras para combater a caça desenfreada, com o apoio da WWF.
Uma nova abordagem envolvendo guardas florestais comunitários na Reserva do Saola na Província Thua Thien Hue do Vietnã está apresentando resultados positivos. Desde fevereiro de 2011, a equipe recém-criada de guardas florestais que patrulham a reserva retiraram mais de 12.500 armadilhas e perto de 200 caçadores ilegais.
Os esforços para salvar o saola chegaram a um nível maior de urgência, uma vez que outra das espécies ícones do Vietnã, o rinoceronte-de-java do Vietnã, foi confirmada extinta em 2011 devido à caça pelo seu chifre.
"A falta de demanda significativa por saolas no comércio ilegal de espécies selvagens dá grande esperança para a sua conservação", disse Robichaud. "Mas ainda precisamos agir. Um dos animais mais raros e mais distintos do mundo está discretamente caminhando para a extinção através de complacência."