Artigos Deserto de Gobi Apesar de ser o quinto maior deserto do mundo, Gobi é a região árida mais extensa do continente asiático.
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Fotografia por Pablo Pecora, CC BY-NC-ND


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O Deserto de Gobi

Embora seja apenas o quinto maior do mundo, o deserto de Gobi é a região árida mais extensa no continente asiático. O deserto se estende por dois países, cobrindo partes do norte e noroeste da China até o sul da Mongólia. O deserto de Gobi tem a maior parte das chuvas bloqueadas pelo Himalaia. No entanto, isso não significa que a região receba zero de precipitação. Na verdade, Gobi recebe cerca de 17,7 centímetros de chuva a cada ano.

Gobi é um deserto frio, graças à sua localização norte e altitude (cerca de 1.520 metros acima do nível do mar nos pontos mais altos). Como resultado, às vezes geadas e até mesmo neve podem ser vistas cobrindo as dunas de Gobi. As temperaturas podem cair até -4,4°C no inverno. No verão a temperatura pode chegar aos 50°C.

O deserto também é muito menos arenoso do que outros desertos. O solo do deserto de Gobi é composto principalmente de rocha, devido em grande parte aos fortes ventos que passam em todo o planalto. Gobi pode ser o quinto maior deserto do planeta, mas a área contém cinco regiões ecológicas distintas: as estepes desérticas do leste de Gobi, o planalto semi-desértico de Alashan, as estepes desérticas do Vale dos Lagos de Gobi, o semi-deserto da Bacia Dzungarian e a cordilheira Tian Shan.

Deserto de Gobi

Deserto de Gobi, Mongólia

Fotografia por Pablo Pecora, CC BY-NC-ND

As estepes desérticas do leste de Gobi cobrem a região leste, abrangendo 281.800 km². Essa região abrange a área do Planalto da Mongólia na China em direção ao norte até a Mongólia em si. Há muitas salinas e áreas de baixa altitude no leste de Gobi, bem como as Montanhas Yin.

O planalto semi-desértico de Alashan fica a oeste-sudoeste das estepes desérticas do leste de Gobi. A maior parte deste planalto é formado por bacias desérticas e cordilheiras de montanhas de baixa altitude, incluindo a cordilheira Altai de Gobi, as Montanhas Helan, e as Montanhas Qilian.

As estepes desérticas do Vale dos Lagos de Gobi está entre as montanhas Khangai e a cordilheira Altai, no norte do Planalto de Alashan.

O semi-deserto da Bacia Dzungarian está situado entre a cordilheira Tian Shan no sul e a cordilheira Altai ao norte. A área se estende desde o sudeste da Mongólia até a China, cobrindo a parte norte da província de Xinjiang na China.

A cordilheira Tian Shan atua como uma fronteira entre a Bacia Dzungarian e o deserto de Taklamakan a oeste. O Taklamakan é considerado separado de Gobi por causa de sua bacia de areia cercada por altas montanhas.

Gobi fazia parte do grande Império Mongol, o maior império contíguo da história, durante os séculos 13 e 14. Gobi também abrigava algumas cidades importantes onde os comerciantes paravam para descansar durante a viagem da Rota da Seda, da Europa até a China. O explorador italiano Marco Polo encontrou cidades fabulosas de Gobi em sua épica jornada de 24 anos através da Ásia até Veneza, que contou em seu livro "As Viagens de Marco Polo."

Deserto de Gobi

Estepes da Mongólia

Fotografia por Stephane L, CC BY-NC-SA

O Deserto de Gobi continua a crescer, e seu rápido crescimento é alarmante para seus vizinhos. A China é mais atingida, perdendo pastagens valiosas para o deserto em expansão. O governo chinês anunciou planos para plantar a Muralha Verde da China, uma linha de novas florestas com o objetivo de diminuir a expansão do deserto.

Animais

O deserto de Gobi é um ambiente extremamente inóspito, com temperaturas extremas que variam de -4,4°C a 50°C. A região recebe menos de 20 centímetros de chuva por ano, e tem uma densidade populacional de menos de 3 pessoas para cada 1,6 km². No entanto, essa região inóspita ainda abriga uma grande variedade de animais, mostrando que algumas espécies podem se adaptar até mesmo em algumas das piores condições do planeta.

A menor espécie de animal que vive no deserto de Gobi é conhecida como jerboa. Esses pequenos roedores são quase como cangurus, com poderosas pernas traseiras que permitem saltar até 3 metros de uma vez. Eles também têm uma longa cauda como um canguru que ajuda a manter o equilíbrio enquanto eles pulam ao longo da paisagem rochosa.

Os jerboas tem um inimigo: a águia-dourada. Estas aves de rapina podem chegar a quase 6 kg se alimentando apenas de jerboas. Alguns dos moradores nômades do Gobi treinam águias-douradas para caçarem para eles.

Outra espécie de animal que faz do deserto de Gobi seu lar é o leopardo-das-neves. Eles costumavam vagar por toda a região fria do Gobi em grande número, mas como a população humana da área tem crescido seus números têm diminuído.

Deserto de Gobi

Jerboa-de-gobi, Mongólia

Fotografia por Tgran CC BY-NC

O deserto de Gobi também é o lar do urso-de-gobi, uma das espécies mais ameaçadas do planeta. A invasão humana no seu território reduziu o número desses ameaçados ursos para cerca de 50 indivíduos.

Estas são apenas algumas das espécies de animais encontradas em Gobi. Muitos outros animais que vivem no deserto de Gobi, como camelos, lobos, bois-almiscarados, e ibexes, também são encontrados em outras partes do mundo. O clima e o relevo podem ser extremos, mas a vida animal continua a encontrar uma maneira de sobreviver. Num passado distante, quando o clima era diferente, a área do deserto de Gobi foi o lar de um grande número de animais. Hoje, é uma fonte rica e diversificada de fósseis para paleontologistas.

Plantas

Embora seja visto como um deserto árido e rochoso, o deserto de Gobi abriga alguma vida vegetal esparsa. O nível extremamente baixo de precipitação anual ainda fornece umidade suficiente para algumas poucas plantas do deserto sobreviverem nesse inóspito ambiente.

A árvore saxaul (Haloxylon ammodendron) talvez seja a planta mais importante do Gobi. Esta notável árvore é uma das únicas fontes de água disponíveis no meio de rochas e areia. Reservas de água atrás da casca da árvore, permite que seres humanos e animais obtenham a umidade. A casca pode até ser espremida.

No entanto, a saxaul não é a única planta que sobrevive no quinto maior deserto do mundo. Enquanto a árvore saxaul fornece a água tão necessária à vida animal do Gobi, cebolas selvagens oferecem para a mesma fauna uma fonte de alimento. Estas cebolas selvagens ainda oferecem uma fonte de suprimento para os seres humanos que viajam pelo deserto de Gobi. Muitas pessoas descrevem que as cebolas têm um sabor parecido com um tipo distinto de avelã.

Além de fontes de alimento e água, o Gobi também abriga algumas espécies de gramíneas e arbustos do deserto. Convolvulus e tamarix são dois gêneros de plantas que podem sobreviver em temperaturas extremas e com a falta de chuvas do deserto, além de dar um pouco de cor ao cenário.

Deserto de Gobi

Dunas do Deserto de Gobi, Mongólia

Fotografia por Einar Fredriksen, CC BY-SA

Uma planta é única em uma área específica do deserto de Gobi: a soda. Esta planta tem uma tolerância extremamente alta ao sal, o que torna a vida da planta ideal para prosperar na área com menos vegetação da região, o Deserto de Sal. O teor de sal dessa área do Gobi é tão alta que impede a sobrevivência da maioria das outras plantas.

Plantas, animais e até seres humanos podem encontrar maneiras de sobreviver na paisagem e temperaturas extremas do deserto de Gobi. O Gobi, é sem dúvida, um dos ambientes mais inóspitos do planeta, mas a vida ainda encontra uma maneira de existir ali.

Clima

A maioria dos desertos sofrem mudanças bruscas de temperatura ao longo do ano, mas o Gobi tem um clima de extremos. A temperatura pode mudar 15,5°C em apenas 24 horas. Pode cair para -4,4°C no inverno e subir para 50°C no verão. Graças a altura da região acima do nível do mar (cerca de 1.524 metros em algumas áreas) e a posição norte no globo, não é incomum ver geada e até mesmo neve em cima das dunas ocasionalmente.

Monções do sudoeste, algumas vezes chegam na região sudeste do Gobi, a área é tradicionalmente extremamente seca. O inverno pode causar problemas, com ventos fortes e baixas temperaturas, criando tempestades de gelo ou até mesmo tempestades de neve.

Apesar da região não receber muita água durante a estação chuvosa, o Gobi recebe mais umidade durante o inverno. As estepes da Sibéria, ao norte do Gobi, são responsáveis por grande parte da neve que aparece no deserto. Os ventos fortes varrem a neve das estepes, distribuindo-a sobre as dunas do deserto de Gobi durante os meses de inverno. Como a maior parte do deserto é na verdade rocha ao invés de areia, mesmo essa umidade extra tem pouco efeito sobre o ecossistema da região.

Deserto de Gobi

Vale dos Abutres com neve, Deserto de Gobi

Fotografia por Einar Fredriksen, CC BY-SA

Estes ventos fortes também são a principal causa das temperaturas extremas comuns no Gobi. Tanto o ar frio como o ar quente são levados através do deserto sem obstáculos. O ambiente do Gobi pode ser inóspito e implacável, mas a área continua a ser uma parte importante da história e da cultura para o mundo.

Fatos sobre o Deserto de Gobi

  • Gobi significa "Lugar sem água".
  • O deserto tem cerca de 1.300.000 km².
  • Apenas 5% da área do deserto são dunas de areia.
  • O deserto tem 5 ecorregiões distintas.
  • Atualmente Gobi está em expansão devido à desertificação.
  • Situa-se numa "sombra de chuva" causada pelo Himalaia.
  • O deserto de Gobi é o quinto maior deserto do mundo.
  • Gobi é um deserto frio.
  • O deserto é habitado principalmente por mongóis e chineses da etnia Han.
  • Gobi está localizado em um planalto com cerca de 914 a 1.524 metros acima do nível do mar.

Fonte

GobiDesert.org

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