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A História do Tigre-branco
O primeiro tigre-branco a ser capturado não foi, como se costuma afirmar, o famoso Mohan.
Foto: A História do Tigre-branco

Fotografia por Jose Luis Caro Herrero, CC BY

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Os Primeiros Registros de Tigres-brancos

O primeiro tigre-branco a ser capturado não foi, como se costuma afirmar, o famoso Mohan. Houve diversas capturas e um grande número de avistamentos (e caça) antes dele. Por exemplo, em um dos primeiros registros um tigre-branco foi exibido no Exeter Change (um edíficio no lado norte de Strand, em Londres) em 1820.

Caçadas eram comuns entre 1892 e 1922 em lugares como Orissa, Assam, Bilaspur, Cooch Behar e Poona. Entre 1920 e 1930 quinze tigres-brancos foram mortos na região de Bihar. Alguns desses "troféus" foram colocados em exposição no Museu de Calcutá, na Índia.

Em dezembro de 1915, 36 anos antes da captura de Mohan, o Marajá Gulab Singh de Rewa capturou um filhote branco. Na época da captura ele tinha aproximadamente dois anos de idade e viveu em cativeiro no palácio de verão do marajá por mais cinco anos. O tigre foi enviado como um presente para o rei George V como um sinal de lealdade da Índia à coroa. Até hoje, tigres-brancos ainda são mantidos no palácio de verão do marajá que está localizado em Govindgarh, Índia.

O Mais Famoso de Todos os Tigres-brancos: Mohan

Em Maio de 1951, o Marajá Shri Martand Singh estava caçando nas florestas de Bandhavgarh (na Índia Central). No dia 25 um informante relatou que uma tigresa havia sido avistada com quatro filhotes, sendo que um era branco. No dia seguinte, uma busca foi realizada para encontrar a tigresa.

Há registros de que a tigresa se aproximou lentamente do lugar onde o marajá estava sentado com seus convidados. Aparentemente houve pouca preocupação da tigresa em se aproximar e ela provavelmente não sabia da ameaça.

A tigresa e dois dos seus quatro filhotes foram mortos. Mas, por sorte o filhote branco fugiu. As leis daquela época permitiam a caça de uma tigresa com filhotes e isso era muito comum. De volta ao acampamento base, as mortes foram registradas, como um trabalho de rotina.

Na manhã seguinte, nenhum vestígio do filhote branco foi encontrado. Mas finalmente foram vistas marcas no barro em uma trilha feita pela mãe. Faminto, o filhote havia voltado e tinha se escondido em uma fenda de rocha.

Um carpinteiro local fez uma espécie de gaiola com porta suspensa, que foi colocada na saída da fenda. Sabendo que o filhote poderia estar com sede, colocaram um recipiente com água dentro da gaiola na tentativa de fazer o filhote entrar. Algumas horas depois, o plano deu certo e o filhote foi capturado. O filhote foi levado para o palácio do Marajá e colocado em um amplo pátio aberto.

No dia 30 de maio, apenas três dias após a sua captura, o filhote branco escapou e uma longa caçada foi organizada para tentar recuperá-lo. Houve vários confrontos violentos durante as tentativas de captura do filhote usando uma rede. Em uma das tentativas de captura o filhote atacou e foi duramente atingido na cabeça. A pancada o deixou inconsciente e finalmente conseguiram capturá-lo novamente.

O filhote branco foi reintroduzido ao pátio, que foi reestruturado para que ele vivesse o resto de sua vida. Esse tigre era o famoso Mohan.

Os Primeiros Tigres-brancos Criados em Cativeiro

Na idade adulta, Mohan se acasalou com uma tigresa laranja selvagem capturada, chamada Begum, mas suas três ninhadas tiveram apenas filhotes de coloração normal (agora sabemos que a combinação provavelmente não têm o código genético para a produção de tigres brancos). Ela então foi vendida para o Zoológico de Ahmedabad e o Marajá procurou por uma outra parceira para que pudesse produzir os tão desejados filhotes brancos.

Mohan então se acasalou com Radha, uma de suas filhas da segunda ninhada, e isso resultou em quatro filhotes brancos: Raja, Rani, Sukeshi e Mohini. Posteriormente, usando esse método, espécimes brancos puderam ser gerados a uma taxa de um para cada três tigres laranjas.

Raja e Rani

Dois dos filhotes, Raja e Rani foram doados ao zoológico de Nova Delhi onde se tornaram os animais mais famosos do zoológico.

Posteriormente Rani gerou 20 filhotes, todos brancos. A única tigresa cativa a igualar esse número foi Chandani do Zoológico Alipore, em Calcutá.

A mãe de Raja e Rani (Radha) também gerou um grande número de filhotes, dando à luz a 13 tigres brancos e 9 laranjas. Ela morreu em 2 de maio de 1974 e ainda é considerada a primeira-dama dos tigres-brancos.