Artigos Serpentes Peçonhentas e Mortais da África Embora essas serpentes possam representar perigo para os seres humanos, elas são essenciais para seus ecossistemas locais.
Foto:

Fotografia por Steven Gilham, CC BY-ND


COMPARTILHE

Artigos Terra Selvagem »

A África é um continente enorme com uma variedade de habitats, de desertos à florestas tropicais. Ela suporta várias espécies e subespécies de serpentes peçonhentas em diferentes áreas geográficas. É muito difícil obter estatísticas precisas de picadas de serpentes da região, devido à falta de modernas instalações médicas e informações sobre saúde pública. Estima-se entretanto, que a cada ano muitas pessoas são picadas e morrem como resultado de seu envenenamento.

Como na Austrália e em outras parte do mundo, algumas das serpentes peçonhentas mais tóxicas na África não são necessariamente perigosas para o homem, porque são tímidas e evitam o contato ou vivem em áreas remotas e não são amplamente distribuídas. Um exemplo disso é a boomslang, que tem um veneno muito tóxico, mas normalmente não é agressiva com seres humanos, ou amplamente distribuída em áreas povoadas.

Perigosas, mas importantes para o Ecossistema!

Embora essas serpentes possam representar perigo para os seres humanos, elas são uma parte essencial de seus ecossistemas locais. Elas são responsáveis por controlar a população de roedores, que podem ser muito mais perigosos para o homem, já que são portadores de várias doenças. Essas serpentes devem ser RESPEITADAS e EVITADAS, mas NUNCA devem ser mortas indiscriminadamente! Esses répteis incríveis devem ser protegidos e deixados na natureza para que façam o seu trabalho.

Veja: Galeria de Fotos de Serpentes Peçonhentas da África

Como são muitas as espécies, selecionei 6 dentre as serpentes mais peçonhentas do continente africano:

Mamba-negra

Fotografia por Michael Ransburg, CC BY-NC-ND

Mamba-negra (Black Mamba), Dendroaspis polylepsis

A mamba-negra é a maior serpente peçonhenta da África, com um comprimento médio de cerca de 2,5 m, podendo chegar aos 4,3 m. É a segunda serpente peçonhenta mais longa do mundo, excedida em comprimento apenas pela cobra-rei. Seu nome é derivado da coloração negra dentro da boca, ao contrário da cor real da sua pele, que varia do verde-amarelado ao cinza metálico. É a serpente mais rápida do mundo, capaz de se mover a 4,3-5,4 m por segundo (16-20 km/h).

O veneno da mamba-negra é composto principalmente de neurotoxinas potentes. Embora apenas 10 a 15 mg de seu veneno seja mortal para um ser humano adulto, sua picada fornece cerca de 100-120 mg de veneno, em média, mas pode fornecer até 400 mg de veneno em uma única picada. Uma picada de mamba-negra pode, potencialmente, matar um ser humano dentro de 20 minutos ou menos, dependendo da natureza da picada e da área picada, mas a morte geralmente ocorre após 30-60 minutos, em média, às vezes levando até três horas.

Antes do soro antiofídico ser amplamente disponível, uma picada de mamba-negra era 100% fatal. Infelizmente, o soro antiofídico ainda não está disponível nas zonas rurais da área de ocorrência da mamba-negra, e as mortes ainda são frequentes.

Distribuição Geográfica: Nordeste da República Democrática do Congo, Sudão, Etiópia, Eritréia, Somália, Quênia, Uganda, Tanzânia, Moçambique, Suazilândia, Malawi, Zâmbia, Zimbábue, Botswana, Namíbia, KwaZulu-Natal na África do Sul.

Víbora-do-gabão

Fotografia por Dagget2, CC BY-NC-ND

Víbora-do-gabão (Gaboon Viper), Bitis gabonica

A víbora-do-gabão não é apenas o maior membro do gênero Bitis, mas também a víbora mais pesada do mundo e tem as maiores presas (até 5 cm), e a maior produção de veneno dentre as serpentes peçonhentas. Os adultos têm em média 1,2-1,5 m de comprimento, com um máximo de 2 m.

Picadas de víboras-do-gabão são relativamente raras, devido à sua natureza dócil e o fato de que sua ocorrência é limitada principalmente a áreas de florestas tropicais. No entanto, quando ocorre uma picada sempre deve ser considerada uma emergência médica grave. O soro antiofídico deve ser administrado o mais rapidamente possível para salvar a vida da vítima, se não o membro afetado. A víbora-do-gabão tem um veneno principalmente citotóxico. Suas glândulas de veneno são enormes e cada picada produz as maiores quantidades de veneno dentre as serpentes peçonhentas, cerca de 200-1000 mg de veneno.

Distribuição Geográfica: Guiné, Gana, Togo, Nigéria, Camarões, República Democrática do Congo, República Centro-Africana, Sudão, Uganda, Quênia, Tanzânia, Zâmbia, Malawi, Zimbábue, Moçambique KwaZulu-Natal na África do Sul.

Boomslang

Fotografia por Martin Grimm, CC BY-NC-SA

Boomslang, Dispholidus typus

A boomslang é uma serpente peçonhenta da família Colubridae. É uma serpente tímida e de hábitos arborícolas, e geralmente as picadas ocorrem somente quando as pessoas tentam manipular, capturar ou matar o animal.

Muitos membros da família Colubridae são inofensivos aos seres humanos por causa de glândulas de veneno pequenas, veneno fraco ou presas ineficientes. No entanto, a boomslang é uma notável exceção, pois tem um veneno muito potente, que é inoculado através de grandes presas que estão localizadas na parte posterior da mandíbula. As boomslangs podem abrir suas mandíbulas a um ângulo de 90 graus ao picar. A picada de uma boomslang adulta fornece cerca de 1,6-8 mg de veneno. O veneno da boomslang é hemotóxico; ele desativa o processo de coagulação do sangue e a vítima pode morrer em conseqüência de hemorragia interna e externa. O veneno tem ação lenta e pode levar de 24 a 48 horas para  aparecer os sintomas sérios.

Distribuição Geográfica: África subsaariana.

Cobra-egípcia

Fotografia por J. Gállego, CC BY-NC-SA

Cobra-egípcia (Egyptian Cobra), Naja haje

A cobra-egípcia é uma espécie do gênero Naja (o gênero das verdadeiras cobras) encontrada na África e na Península Arábica. É uma das maiores espécies de Naja na África. Pode crescer cerca de 1,5-2,4 m de comprimento. As características mais reconhecíveis de uma cobra-egípcia são a sua cabeça e capuz. É uma serpente terrestre e noturna. Quando ameaçada, ela assume uma postura ereta típica e expande seu capuz.

O veneno da cobra-egípcia é principalmente neurotóxico e a quantidade média de veneno normalmente atinge 175-200 mg em uma única picada. Seu veneno afeta o sistema nervoso, interrompendo a transmissão dos sinais nervosos para os músculos, e em fases posteriores, interrompe os sinais nervosos transmitidos para o coração e os pulmões, causando a morte devido à completa falência respiratória. Ao contrário de algumas outras cobras africanas (por exemplo, a cobra-cuspideira-de-moçambique), essa espécie não "cospe" veneno.

Distribuição Geográfica: Norte da África, África Ocidental ao sul do Sahara, bacia do Congo, Quênia, Tanzânia, e em partes do sul da Península Arábica.

Víbora-ariete

Fotografia por Earth Touch, CC BY-NC-SA

Víbora-ariete (Puff Adder), Bitis arietans

A víbora-ariete é encontrada em uma variedade de habitats na África e é amplamente distribuída. É frequentemente encontrada nas proximidades de assentamentos humanos. O tamanho médio de uma víbora-ariete é de cerca de 1 m de comprimento e ela tem um corpo muito robusto.

Essa espécie é responsável por mais mortes do que qualquer outra serpente africana. Isto se deve a uma combinação de fatores, incluindo sua ampla distribuição, ocorrência comum, tamanho grande, veneno potente que é produzido em grandes quantidades, longas presas, seu hábito de se aquecer em trilhas e de se manter calma quando há aproximação de pessoas. Quando perturbada, ela faz um som de assobio alto e contínuo, adotando uma postura defensiva bem enrolada com a parte dianteira de seu corpo em forma de "S". Ela pode atacar de repente e em alta velocidade.

O veneno da víbora-ariete tem efeito citotóxico e é um dos mais tóxicos dentre as víboras com base em DL50. A víbora-ariete normalmente injeta entre 100-350 mg de veneno em uma única picada. Cerca de 100 mg do seu veneno é considerado suficiente para matar um ser humano adulto saudável, com a morte ocorrendo após 25 horas.

Distribuição Geográfica: É uma serpente muito comum e de ampla distribuição na África. É encontrada do sul da África subsaariana a África do Sul.

Cobra-cuspideira-de-moçambique

Fotografia por © Martin Smit

Cobra-cuspideira-de-moçambique (Mozambique Spitting Cobra), Naja mossambica

A cobra-cuspideira-de-moçambique é uma serpente muito comum nas regiões de savana da África tropical e subtropical. São frequentemente encontradas em cupinzeiros abandonados, buracos de roedores e próximas de assentamentos humanos. Os adultos têm um tamanho médio de 0,90-1,0 m de comprimento, com um tamanho máximo de 1,5 m.

Essa serpente é agitada e muito nervosa. Quando confrontada de perto pode se elevar até dois terços de seu comprimento, abrir seu capuz e prontamente "cuspir" seu veneno à distância, como forma de defesa. Ao fazer isso, o veneno pode ser ejetado a uma distância de 2-3 m, com uma precisão extraordinária.

A cobra-cuspideira-de-moçambique não costuma picar, apesar de seu comportamento agressivo, mas sua picada causa destruição local grave dos tecidos. Se o veneno atingir os olhos pode causar cegueira. O veneno é potencialmente citotóxico e neurotóxico.

Distribuição Geográfica: Angola, Botsuana, Malawi, Moçambique, Namíbia, África do Sul, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia, Zimbabwe.

Fonte

Wikipedia (Inglês) / Clinical Toxinology Resources / Reptitrader / Squidoo

COMPARTILHE



Mais do Terra Selvagem